Agosto 2008


Três novas pontes

Para unir Porto e Gaia

Três novas pontes sobre o Rio Douro, uma Rodoviária e Metro Ligeiro; outra Ferrovia de Alta Velocidade; a terceira, Pedonal, entre as ribeiras do Porto e de Gaia, foram apresentadas pelo vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco António Costa acompanhado pelo Engenheiro Adão da Fonseca. Com a construção destas três Pontes pretendem os responsáveis resolver quatro questões. Desde logo, tendo em conta que a rede do Metro do Porto vai construir a nova linha até Santo Ovídio, em Gaia e a Boavista, no Porto, sendo o trajecto feito ao longo da VL 8.

A rede do caminho-de-ferro de alta velocidade tem como linhas prioritárias as que ligam Lisboa ao Porto e esta à cidade da Corunha, na Galiza. Já estava decidido que uma das estações mais importantes se localizaria no aeroporto Francisco Sá Carneiro. O corredor da linha Lisboa/Porto deveria passar, preferentemente, na zona ocidental da área metropolitana do Porto.

A Ponte da Arrábida tem a sua capacidade de escoamento do tráfego rodoviário esgotado, e não pode atender ao aumento de trânsito que está a ser gerado pelo contínuo crescimento urbano que se regista nas zonas ocidentais das cidades do Porto e Gaia. Finalmente, a quarta questão, tem a ver com o Pólo III (Campo Alegre), da Universidade do Porto que necessita ser integrado com o resto da cidade. Estando esse pólo situado no centro desta articulação de transporte, que alterações ao seu plano urbanístico devem ser consideradas para a mais acertada das quatros questões. A ponte de utilização rodoviária/metro ligeiro deverá nascer entre a encosta do Gólgota, no Porto, e a encosta nascente da Arrábida, em Gaia, com o tabuleiro à cota de cerca de 60 metros. A Ponte de Utilização ferroviária de alta velocidade deverá nascer entre a encosta do Palácio de Cristal, no Porto, e a encostada Fraga em Gaia, com o tabuleiro á cota de cerca de 40 metros. No total as três pontes deverão custar cerca de 50 milhões de euros (32 milhões, a primeira ponte; 17 milhões a segunda e 11 milhões a Ponte Pedonal). Representa, feitas as contas, “um décimo da ponte Chelas/Barreiro”, lembrou o Professor Catedrático de Pontes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Adão da Fonseca. A proposta da Câmara de Gaia, como destacou Marco António, vai no sentido de criar “uma equipa técnica Porto e Gaia para trabalhar no dossier”, que considerou “muito político.” Adão da Fonseca representará Gaia nessa Comissão com o vereador Firmino Pereira. Quanto ao investimento “os míseros”, 50 milhões comparado com o que se investe em Lisboa onde Marco António considera que estão concentrados fundos do QREN que deviam ter sido distribuídos de forma mais equitativa “pelas regiões com maiores dificuldades de desenvolvimento.

Quanto ao PS/Gaia sobre o anúncio da proposta “unilateralmente sem a presença ou concordância da Câmara do Porto”, considera: “a Câmara de Gaia, na ânsia de fazer uma notícia, esqueceu-se da ligação estratégica de Gaia a Gondomar, permitindo a fundamental ligação do Metro entre os dois concelhos.”

A Câmara de Gaia, diz ainda o PS, liderado por Vítor Rodrigues, “propôs estas soluções sem nenhuma sustentação técnica, nomeadamente sem a aprovação do já anedótico e sinistro processo de revisão do PDM, que se arrasta penosamente, tanto como a Câmara. Á falta de um documento norteador e planificador, a Câmara sente-se livre para propor tudo e o seu contrário.” A preocupação do PS: “é simples: tememos que a Câmara de Gaia esteja a usar este importante assunto, que deveria ser tratado com responsabilidade, para armar mais uma confusão com o Dr. Rui Rio.” A guerra da Câmara de Gaia “contra o Dr. Rui Rio e a Câmara do Porto” continua o PS, “só prejudica as soluções para o futuro do concelho e revela o carácter arbitrário, irresponsável e provocador deste anúncio unilateral.”

Novas oportunidades

No âmbito da iniciativa Novas Oportunidades, José Carlos Ribeiro e Eduardo Pereira, ambos de 33 anos e com deficiência auditiva congénita são os primeiros clientes do Centro de Reabilitação Profissional de Gaia a obter o certificado Equivalência ao Ensino Básico (9º ano).

O processo de reconhecimento, validação e certificação de competências teve início em Janeiro deste ano. Com este certificado, esperam que seja mais fácil arranjar emprego. José Ribeiro está desempregado desde o início de 2007, da Yazaki Saltano. Eduardo Pereira nunca trabalhou. Com um curso de formação em desenho técnico e medições, gostaria de trabalhar nessa área. José gostaria de trabalhar com cozinheiro ou cabeleireiro.

O Centro Novas Oportunidades do CRPG está em funcionamento desde 2007, disponibilizando serviços a nível da certificação escolar e profissional. Está igualmente vocacionado para o reconhecimento, validação e certificação de competências de adultos com deficiências e incapacidades. É um dos seis centros previstos no Plano de Acção para a Integração das Pessoas com deficiências e incapacidades 2006/2009.

Protocolo assinado

Câmara Municipal de Gaia, Junta de Freguesia e Clube de Futebol de S. Félix da Marinha assinaram protocolos de cooperação e comparticipação financeira, com vista à construção, iluminação e arrelvamento em piso sintético, do Complexo Desportivo do FC de S. Félix.

O novo equipamento vai servir em primeira instância o Clube mas poderá e deverá ser usado pela população em geral, nomeadamente pela Escola Municipal de Futebol.

A coordenação de utilização fica a cargo da Gaianima que quer ver rentabilizado o espaço tal como tem feito com outros já concluídos ou em fase disso.

Apoio aos pobres

Em Vila d’Este

A Associação de Proprietários de Vila d’Este viu aprovada a candidatura que apresentou ao Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados.

Foi no quadro de combate à fome que a Associação, como explica o seu presidente, António Moreira, “fez o levantamento das famílias mais carenciadas”, sendo que este programa vai permitir a distribuição de cerca de 11,5 toneladas de alimentos a partir de Outubro próximo.

Os alimentos a distribuir de que faz parte a massa, o arroz, farinha, leite em pó, cereais e açúcar destinam-se a cerca de 582 pessoas que integram os agregados mais carenciados entre os quais 26 com mais de 65 anos e 174 menores de 12 anos.

Os parceiros deste programa com a Associação: Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Banco Alimentar Contra a Fome e a Congregação Irmãzinhas da Assunção.

Recorde-se que a urbanização de Vila D’Este foi construída entre 1976 e 1982; são cerca de 17 mil habitantes distribuídos por 109 edifícios em 18 blocos.

Sandim descontente

Com traçado da A32

Algumas centenas de Sandinenses assinaram uma petição enviada ao Ministro das Obras Pública onde se manifestam contra a actuação do consórcio auto-estradas do Douro Litoral.

Na génese desta petição está o facto de este concessionário da A32 (vai ligar S. João da Madeira aos Carvalhos), não ter vindo a cumprir as determinações do Instituto Nacional de Infra-estruturas Rodoviárias (INIR).

A AEDL/Brisa quer alterar o traçado “aprovado, concursado e adjudicado, da A32, entre Oliveira de Azeméis e Nó de S. Lourenço.”

Traçado esse, (pelo corredor B), que foi objecto de concurso público “e sobre o qual os demais concorrentes elaboraram as suas propostas, derrotadas pela proposta da Brisa”, diz a petição.

A Brisa “pretende agora, na fase de execução, alterar o traçado, de uma ponta a outra da AE, deslocando-o mais para litoral.”

Essa proposta rasga ao meio a freguesia de Sandim, destruindo a zona de Várzea e do Vale do rio Uíma. Além de tudo, dizem os signatários “faz tábua rasa do PDM de Gaia em fase de discussão pública.” O traçado aprovado tem em conta a construção da Zona Industrial, importante investimento que não é esquecido nesta petição.

O INIR já fez saber á AEDL/Brisa que não aceitará qualquer alteração ao traçado, mas este organismo já apresentou nas Estradas de Portugal o novo projecto para aprovação.

Juntas que subscrevem

Por iniciativa da Junta de Freguesia de Sandim, as freguesias mais abrangidas pelo traçado da A32, Olival, Lever e Crestuma entregaram, como explica o presidente de Sandim, Mota Baptista, “uma carta na Câmara Municipal, assim que se começou a falar na pretensa alteração do traçado, dando conta do nosso desacordo, manifestando a nossa preocupação e solicitando que a Câmara, junto de entidades responsáveis, diligencie no sentido de que tal não venha a concretizar-se.”

Afinal, se foi estudado durante tanto tempo o traçado, “foram apresentadas dezoito/dezanove alternativas e foi escolhida a proposta adjudicada não faz sentido nenhum alterar”, e pergunta: “porque é mais barata a solução que apontam? Só viram isso agora, após tantos estudos?”

Para o autarca não faz sentido que haja um organismo o INIR, uma entidade estatal a manifestar-se contra a alteração do traçado e outra entidade a AEDL a querer contrariar tudo que até agora foi decidido.

Feira de Canidelo

Não faltam fregueses

Completamente reformulada, a Feira de Canidelo que se realiza ao domingo de manhã, leva à freguesia largas centenas de pessoas. Procuram o mais variado artigo neste tipo de «mercado» onde tudo se encontra; se para todos os gostos e bolsas isso já é discutível. Às vezes não tanto em conta quanto isso; não tanto de marca como se quer fazer crer, mas uma feira sem estes «enganos», não é uma feira de verdade.

São cento e vinte e dois feirantes que para poderem continuar a «montar ali a banca», não viram melhor solução que se unirem e pagarem as obras de requalificação feitas pela câmara.

As contas ainda não estão fechadas, mas tudo aponta para um investimento na ordem dos 200 mil euros. Assim que a nova feira «abriu as portas», deu para perceber “os feirantes não demoram muito a ter o retorno do investimento”, pode ouvir-se ainda que dos mais optimistas.

O terreno é da Comissão Fabriqueira com quem a Câmara celebrou protocolo. A autarquia recebe dos feirantes e paga à Comissão o aluguer firmado.

Desde a recolha de águas pluviais; novos arruamentos em toda a envolvente, instalação de sanitários amovíveis tudo foi pensado e concretizado por forma a criar o que todos consideram “excelentes condições para uma feira onde, dizem os feirantes, fazem aqui mais numa manhã do que em muitas outras um dia inteiro.”

Como se sabe, acabou-se aquela confusão que uns consideram tradição de uma feira e outra falta de higiene e que passava pela mistura dos artigos. Legumes junto do calçado, fruta junto da roupa, as galinhas junto dos brinquedos tudo sem regras, registo da maioria das feiras. “Isso acabou, cada produto tem a sua secção nota-se muito mais limpeza e asseio”, diz quem já foi à nova feira.

As obras decorreram durante três meses, a opinião é unânime “valeu a pena.” A Suma faz a recolha do lixo á segunda-feira e todo o espaço, durante a semana fica transformado numa ampla praça já que as bancas são amovíveis e da responsabilidade dos feirantes.

Como em todas as feiras há quem fique de fora quando queria estar a vender, mas o resultado de um sorteio dita quem fica e quem não fica numa das maiores feiras da Área Metropolitana.

Envolvido e a acompanhar o processo desde o início o presidente da junta de Canidelo, Fernando Andrade, regista com muito agrado a requalificação da feira. Desde logo, “aproveitamos a oportunidade e requalificamos algumas ruas à volta, nomeadamente junto ao cemitério.” A Feira tem outra dignidade, “é ainda mais procurada e naturalmente tem sempre reflexos positivos para a freguesia.” O que não fazia sentido, “sempre disse, era que a feira continuasse a funcionar naquelas condições”, acrescenta o autarca.

Vias Estruturantes

Nova geração

Uma nova geração de vias estruturantes apresentada na passada semana, “projecta Gaia rumo ao futuro”. Um investimento na ordem dos 14 milhões de euros, uma intervenção em cerca de seis quilómetros de novas vias vão contribuir para uma “significativa melhoria da competitividade territorial e para o aumento da qualidade de vida de todos os gaienses”, destaca o

Presidente da Câmara Filipe Menezes.

Esta nova geração de vias para a zona ocidental de Gaia “influenciará, de forma determinante”, nas palavras do vereador das obras Firmino Pereira, “uma moderna e atractiva cidade, diminuindo as distâncias a percorrer, eliminando os conflitos em arruamentos com perfil reduzido, aproximando e integrando os cidadãos na sua mobilidade.”

As VL1 que ligará a Rotunda das Devesas à Rua Marques Gomes diminui em mais de dez minutos a ligação entre os dois pontos da cidade, uma extensão de 2,300 km, para um investimento de quatro milhões de euros com prazo de execução de um ano.

Já a VL2-4, ligação da VL8 ao mar através da VL7 (Avenida Eugénio de Andrade), facilita o acesso do centro da cidade ao mar; esta via articulará os eixos estruturantes como o IC1, VL8, IC23, VL7 e Via Marginal de Gaia. Para construir dentro meio ano, por cerca de um milhão e oitocentos mi, euros.

Quanto á reformulação da VL8, terá um carácter de via urbana, ampla, segura, arborizada e de escala humana; uma extensão de 1 500 metros, prazo de execução de nove meses, um investimento na ordem dos 2 milhões de euros.

A Via Panorâmica vai estabelecer ligação entre a VL 8 e a marginal ribeirinha; será construída com a participação de investidores privados, através de operações urbanísticas. Com cerca de 1 100 metros, nove meses para construir e um custo de 3 milhões de euros, este será um acesso entre a cota alta e cota baixa da cidade.

Uma ligação rápida entre a Rotunda das Devesas ao núcleo central da zona histórica da cidade, será possível através da Via do Centro Histórico. Melhores acessos a equipamentos em construção como o Centro Cultural de Gaia, Escola Superior de Tecnologia da Saúde ou o Convento Corpus Christi. Um investimento que ronda os dois milhões de meio de euros, um prazo de execução de seis meses, numa extensão de oitocentos metros.


Três anos de mandato

Oito notas críticas

A CDU/Gaia destaca oito notas do balanço que faz dos três anos de mandato municipal.

As visitas constantes ás freguesias “têm permitido constatar as desigualdades que se mantêm no desenvolvimento do município”. As crescentes dificuldades das populações com o encerramento de empresas ou a diminuição do emprego, carência de infra-estruturas ou más condições de habitabilidade.”

Falta de condições obrigam as pessoas a percorrer “ruas sem passeios e com o piso em mau estado; escassez de equipamentos colectivos nos bairros municipais; escolas em más condições, crianças e jovens que continuam sem centros de convívio e apoio.”

A CDU fala de política de ziguezague do PSD/CDS relativamente às taxas municipais a exemplo da “novela das taxas de rampas”; suspensa no mandato anterior, voltou depois transformada em taxa sobre todos os acessos e acabou agora “em vésperas de novas eleições, após oposição frontal e permanente da CDU e dos gaienses.”

Por outro lado, a política de «bilhete-postal ilustrado», “para eleitor e turista ver”, com a aposta no litoral e zona ribeirinha; prossegue o esquecimento e o abandono do importante património histórico e cultural e dos moradores que ali nasceram. Continuam adiados os projectos de construção de habitação social e reabilitação urbana.”

A mesma força política fala de descoordenação entre serviços municipais, empresas e os membros do executivo “que por vezes acaba em intervenções atabalhoadas e necessários recuos como aconteceu com a Escarpa da Serra, acordos com as juntas sobre as taxas de acessos.”

Neste balanço a CDU refere o “crescimento da desordem urbanística, com os sucessivos adiamentos do PDM, alterações pontuais que vão servindo interesses especulativos com as consequência já visíveis nos sucessivos cortes de árvores em zonas urbanas, como na Mazorra”, exemplifica.

A aposta na “multiplicação de revistas de propaganda, sem qualquer pluralismo e de onde foram arredadas as escassas palavras da CDU, certamente por serem críticas da acção municipal”, critica os comunistas.

Finalmente, a CDU aponta a também “crescente aposta na privatização da gestão do espaço público e de alguns serviços que deviam continuar públicos”; os parques de estacionamento, teleférico ou o futuro crematório e cemitério central são alguns exemplos que a CDU aponta “enquanto se multiplicam as queixas contra a cada vez maior promiscuidade entre negócios públicos e privados.”

Em reunião de Câmara a CDU apresentou uma proposta em que as componentes fixas que figuram na factura de água (tarifa de disponibilidade, de água e de saneamento e componente fixa de resíduos sólidos), sofram de imediato uma redução de forma a que essa componente fixa não ultrapasse os 5 euros/mês e seja mesmo inferior para pessoas com rendimentos inferiores ou iguais ao salário mínimo nacional.

Esta força política lembra que a empresa Águas de Gaia tem apresentado lucros elevados (cerca de 800 mil euros em 2007) “não é admissível ser esse o fito principal para uma empresa que fornece bens e serviços essenciais.”

Na mesma reunião a CDU propôs a devolução das taxas de acesso pagas, sabido que a mesma taxa foi recentemente abolida. A maioria inviabilizou a proposta “demonstrando claramente que se mantém a sua insensibilidade quanto aos graves problemas sociais dos gaienses, e que a abolição da taxa não passou de mais uma manobra de propaganda preparando já o caminho para o próximo acto eleitoral”, considera a CDU.

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