Doentes sem médicos

Médicos sem doentes

NO CENTRO DE SAÚDE BARÃO DO CORVO EXISTEM SETE MIL DOENTES «A DESCOBERTO», SEM MÉDICO DE FAMÍLIA. NO NOVO CENTRO DE SAÚDE DE CANIDELO, ESTÁ INSTALADA A UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR QUE TEM MÉDICOS, MAS NÃO TEM OS DOENTES QUE À PARTIDA CONTAVA TER.

Assim, o coordenador da USF, Fernando Ferreira, não levantou a questão aquando da visita da Ministra da Saúde ao equipamento porque politicamente, “não cairia bem, não seria a melhor altura.” Poderá ter perdido aquela que seria uma boa oportunidade, para fazer a pergunta que faz agora: “quem está a travar o processo, para que dos sete mil doentes a descoberto em Barão do Corvo, muitos deles residentes em Canidelo, não façam a inscrição nesta nova Unidade?

A Ministra podia não responder à pergunta, mas pelo menos todos ficavam com a ideia que nem tudo são rosas nas USF.

Fizemos nós a pergunta à Directora do Barão do Corvo, Dalila Lamego que não se mostrou surpreendida.

Desde logo confirma os cerca de sete mil doentes a descoberto “todos atendidos no reforço, ninguém fica sem consulta”, começa por esclarecer. Se calhar, por isso mesmo, também, “são doentes com uma relação afectiva com o seu médico de há dez/vinte anos.” Ninguém estará a travar o processo, “os doentes não querem ir, preferem ser atendidos aqui, alguns chegaram a ir e voltaram.

Não será por falta de campanha de sensibilização, para se inscreverem na Unidade de Canidelo que os doentes não fazem a sua transferência. No próprio dia em que falávamos com a responsável deste Centro, “esteve cá uma enfermeira da Unidade de Canidelo a colocar cartazes de apelo à inscrição dos doentes, espalhou-os por onde entendeu, ninguém colocou qualquer obstáculo, com excepção da porta da entrada em que não permitimos a colocação desses cartazes.

Aliás, diga-se, “se os doentes sem médico fossem para Canidelo, como devem imaginar, isso aliviava em muito a nossa carga, não temos qualquer interesse ou razões para travar o que quer que seja”, acrescenta Dalila Lamego.

Afinal porque tanto interesse na criação de Unidades de Saúde Familiar que aliás o Ministério quer continuar a criar, se têm gerado tanto confusão?

À partida a USF, em teoria dá aos profissionais de saúde que em grupo se candidatam à criação da estrutura, mais dinheiro. Têm o salário base e depois um incentivo ou complemento consoante os objectivos atingidos.

São profissionais com autonomia funcional, alguns com vínculos à função pública a que podem voltar se algo corre mal na USF. Ou seja, um funcionário público que cria uma empresa e se algo correr mal volta ao lugar que ficou em aberto.

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