Moção de Censura

PS está por tudo

O PS Gaia deverá agendar uma moção de censura ao executivo municipal. A acontecer, será a primeira vez na história, e será “em nome da necessidade de respeito pela dignidade do exercício dos cargos políticos de freguesia e pela dignidade dos trabalhadores.”

Foi no púlpito da Assembleia Municipal que o presidente do PS e da junta de freguesia de Oliveira do Douro, Vítor Rodrigues, desfiou razões para esta tomada de posição.

Desde logo, “dado o incumprimento dos protocolos assinados pela Câmara com a junta, os funcionários não receberam ainda este mês o subsídio de férias.

Esta declaração, Vítor Rodrigues gostaria de não a ter feito ali, para que não ficasse registado, “mais um momento negro desta gestão nas actas deste órgão”, mas foi isso que aconteceu.

Desta situação já o presidente Filipe Menezes teria conhecimento “através de três ofícios”, que o presidente do PS enviou. Há dezasseis meses que as juntas do PS não recebem os duodécimos “numa atitude de discriminação e de coacção política da câmara contra a juntas do PS.”

No início de Abril, Câmara e junta assinaram um protocolo de comparticipação financeira no montante de 153.662 euros “até ao momento recebemos zero, quando deveríamos ter já recebido 76.831 euros”, denúncia o presidente de Oliveira do Douro.

Apesar de tudo, a junta de freguesia tem vindo, diz Vítor Rodrigues, “com grande denodo, a garantir a realização das responsabilidades protocoladas.” Fala da limpeza de arruamentos, manutenção de jardins ou funcionamento do Centro de Convívio da Terceira Idade. A Câmara vive, disse ainda o presidente do PS “uma situação financeira agonizante, mas tem que haver prioridades e critérios de equidade.”

A situação que o PS apelida “repugnante e a roçar a xenofobia política”, não vai contra os autarcas, “mas contra as populações e gora contra os funcionários.” A Câmara que não paga, é presidida “pelo político que há uns meses atrás, quando era líder nacional do PSD, atacava o Estado por não pagar atempadamente os seus compromissos.” O autarca de Oliveira do Douro fala “no encerramento do Centro da Terceira Idade e do projecto de ATL nas escolas primárias”, que só existe nesta freguesia.

Os que acham que tudo isto resulta do facto do PS fazer oposição em Gaia “agradeço o elogio e registo o argumento.” São os mesmos que “não viram nenhuma incompatibilidade”, no facto do líder da Câmara ser simultaneamente líder da concelhia do PSD, presidente do PSD nacional e candidato a primeiro-ministro.

Esta é uma luta, tal como as grandes lutas, “só se massacram os grandes líderes.” A verdade é que a Câmara “está a ir longe de mais e a jogar com quem não deve. Já não se trata de brincar à política e aos políticos.” Venha o que vier Vítor Rodrigues continua firme na persecução de um projecto “diferente e mantendoa força e a coragem para as lutas autárquicas que se avizinham.”

Podem lançar-lhe pedras e colocá-las no seu caminho. E um dia, inspirado em Fernando Pessoa, vai construir um castelo.

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