Quem não pode ir ao mar

corre perigo no rio

Todos os anos, assim que o calor aperta, as praias da Orla Ribeirinha de Gaia enchem-se de milhares de banhistas. Não são, “de forma alguma só pessoas de Gaia, vem muita gente do lado do Porto e Gondomar.” Quem o diz é o presidente da Junta de Freguesia de Crestuma José Ferreira que acrescenta: “todos os anos aumenta e muito o número de pessoas que frequentam estas praias.”

Não será por acaso que tal acontece e José Ferreira não tem dúvidas: “da maneira que isto está, a crise agravar as condições de vida dia-a-dia, cada vez menos gente pode gastar dinheiro nos transportes públicos ou privados, para se deslocar para a Orla Marítima, isso não está ao alcance de toda a gente, não tenham ilusões.” Acresce o facto de ser esta uma das freguesias de interior que não tem uma rede de transportes públicos capaz de satisfazer as necessidades da população, sobretudo ao nível dos horários. Tendo ao pé da porta “um espaço tão apetecível é aqui que fazem as suas férias, ou passam os fins de semana, mesmo que quisessem não têm condições para mais.”

Quer isto dizer, já se adivinha, “não chamamos ninguém para as praias não vigiadas, mas também não as podemos proibir.” Infelizmente, todos os anos as mortes por afogamento nesta praias trazem a questão à ordem do dia – que fazer?

Para o autarca de Crestuma “com boa vontade e tendo a noção que esta é uma questão social, as entidades competentes teriam condições de firmar protocolos por forma a porem aqui um nadador/salvador, umas bóias, como já houve em tempos, podiam criar condições de alguma segurança para estes milhares de pessoas.” Não se pense, está provado ao longo do anos, “ninguém deixa de vir para estas praias porque não são vigiadas, da mesma forma que ninguém deixa de ir para uma praia da Orla Marítima por não ter Bandeira Azul.”

Um protocolo com os Bombeiros podia ser uma alternativa senão veja-se o exemplo recente: “ao longo de quatro semanas, até final do mês, temos cerca de 150 jovens num campo de férias aqui na freguesia. Das muitas actividades em que estão envolvidos, fez parte uma visita ao rio e contamos com o apoio dos Bombeiros para ajudar os jovens e zelar pela sua segurança. Funcionou agora e podia funcionar durante os dois meses de maior afluência à praia Julho e Agosto.”

Tanto mais se justifica criar condições de segurança nesta zona, quanto as muitas iniciativas levadas a cabo “tendem a atrair muita gente que fica maravilhada com a paisagem.” O presidente da Junta fala, no caso, do Programa AnimarRio na sua terceira edição. As colectividades encontram-se à beira rio até ao dia 3 de Agosto; mostram o que fazem, divulgam a área para que estão mais vocacionadas, aproximam-se da população “e têm a possibilidade de angariarem alguma receita através das tasquinhas onde servem petiscos vários a partir das 19 h.”

Pensado para todas as idades, o AnimarRio destaca o dia 3 como dedicado à juventude. A actuação dos Quinta do Bill promete chamar à zona ribeirinha de Crestuma milhares de jovens.

Mais uma iniciativa com a frente de rio como «palco», oportunidade para lembrar a necessidade de olhar esta zona com outros olhos em termos de segurança. Porque nem toda a gente pode ir para a Orla Marítima o presidente da Junta reforça o pedido: “acreditamos, pela promessa e projectos da Câmara que a Orla Ribeirinha será reabilitada até por uma justa aproximação com a Orla Marítima. Não esqueçamos que para o ano temos aqui o Campeonato do Mundo de Canoagem, têm que ser criadas condições de segurança para receber os milhares de pessoas que vão chegar”, sugere José Ferreira.

Enquanto isso, o passado dia 30 foi dedicado aos mais velhos da freguesia. A passeio da Terceira Idade teve por destino a Quinta do Cruzeiro em Vila Praia de Âncora, onde decorreu o almoço convívio entre cerca de 250 idosos. Antes disso, a paragem no Monte de Santa Luzia em Viana do Castelo para assistirem à Eucaristia sempre muito participada.

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