Areinho de Avintes

Dos antigos e novos pobres

Pode dizer-se que não é preciso ir ao Areinho de Avintes, para ter a certeza que é frequentado por milhares de banhistas da freguesia, de freguesias vizinhas e concelhos da Área Metropolitana. Quem passa na marginal do outro lado do Douro, fica espantado e não é de agora, com a massa humana que nos meses de verão enche este Areinho. Ainda há dias mais uma morte por afogamento reacendeu a discussão – como e quem zelar pela segurança destes milhares de pessoas?

Perante as dificuldades que lhe têm colocado, o presidente da Junta de Freguesia de Avintes, Mário Gomes, deixa o desafio: “venham cá impedir estas pessoas de frequentarem a praia; fecham-na com portão a cadeado por mim não vejo como impedir.”

Consciente disso em tempo tentou oferecer algumas condições a estas milhares de banhistas: “chegamos a ter ao longo de todo o areal oito chuveiros; água potável que pagávamos à Aguas de Gaia, para que os banhistas pudessem tomar um duche limpo e seguro.”

Também existiu, ainda lá está, “mas não deixam abrir”, um bar de apoio; tempos houve em que a Junta de Freguesia pagava a permanência de um nadador/salvador naquela praia. E se já teve tudo isto porque não tem agora? Mário Gomes aponta o dedo ao Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território à CCDRN “criam-nos dificuldades, não nos deixam implementar algumas medidas que têm por objectivo oferecer algumas condições de salubridade e segurança.” Não deixam, mas as pessoas continuam a ir ao rio; o presidente da junta sabe bem porquê: “ainda ninguém se lembrou que a praia está a ser frequentada por muita gente que noutros tempos ia para o mar e que hoje não o pode fazer? Ninguém quer lembrar-se que esta já foi uma freguesia empregadora e hoje é das que mais sofre com o desemprego, dada a deslocalização ou fecho de algumas empresas.” Ou seja, muito mais gente que se junta a toda a outra que já frequentava a praia de rio: “é preciso ver que os transportes são caros, têm que fazer transbordo, os horários são muito descompassados, as pessoas não têm condições e não é por estarem a criar tantas dificuldades que deixam de fazer praia aqui; podiam fazê-lo com outras condições se nos deixassem trabalhar.” Sem dúvida, diz ainda o presidente de Avintes, “a Orla Marítima está muito bonita sim senhor, deixem-na lá estar para quem pode, não tirem aos outros o direito de estarem onde querem e podem.

Protocolo de apoio

O presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, foi a Avintes assinar protocolos de apoio com quatro colectividades – Clube Recreativo Avintense, Restauradores Avintenses, Plebeus e a Associação Cultural e Musical de Avintes.

Com a junta de freguesia foi celebrado um protocolo de comparticipação financeira no valor de 25 mil euros, para a festa da Broa de Avintes.

A Câmara sempre ajudou esta realização e Mário Gomes mostra-se “grato e sensibilizado”, por assim continuar apesar de «recomendar» a Filipe Menezes: “pense seriamente no que se está a passar.” O que se passa, sabe-se, é a não transferência de duodécimos para a freguesia e Mário Gomes lembrou: “enquanto o senhor esteve à frente da Câmara nada disto aconteceu, seria bom que encontrasse formas de remediar esta situação.”

A Filipe Menezes coube prometer que ia tentar, o que se tem passado é fruto de “uma opção política”, mas o presidente da Câmara diz nada ter contra as freguesias de Avintes, Oliveira do Douro, Olival ou Madalena, as que não têm recebido os duodécimos.

O presidente da junta continua a dizer que a freguesia carece de todo o tipo de infra estruturas sem esquecer o atraso nas obras da Rua 5 de Outubro. Avintes, reforça, “tem que ser vista de outra forma, não podemos continuar assim.”

Uma vez mais a promessa de Filipe Menezes de que as piscinas e o pavilhão são obras que vão mesmo arrancar que Mário Gomes não tenha dúvidas!

Não será bem o caso, dúvidas e incertezas é o que não falta, mais do que o optimismo pelas palavras de Menezes ou não fosse o presidente da junta “um osso duro de roer”, que lá vai esperando para ver.

Anúncios