Sandim elevada a Vila

Vale sempre a pena

Passaram sete anos desde que Sandim foi elevada ao estatuto de Vila. Comemora-se a data “pelo simbolismo de que se reveste”; é um pouco como quando nascemos “também comemoramos a data”, justifica o presidente da junta de Sandim, Mota Baptista.

Não é, no entanto, um dia vazio de conteúdo. Serve como «pretexto» pelo menos durante a sessão solene, “para reflectirmos sob a política não só interna, mas também externa.” Por outro lado, mais importante talvez, “a participação das pessoas, a aproximação com a sua autarquia, os autarcas”, acrescenta Mota Baptista que destaca a importância destas presenças, “é uma oportunidade para conhecer, discutir, apontar ideias, é sempre enriquecedor.”

Integrado no XI Encontro de Colectividades de Sandim, também uma oportunidade para homenagear “figuras ou instituições que se evidenciaram pelos serviços prestados à sua terra, à sociedade.” O destaque para Joaquim Coelho dos Santos, homenagem a titulo póstumo alguém que merece rasgados elogios do presidente da junta “foi um grande político ligado ao 25 de Abril, à «escola» de Sá Carneiro, um sindicalista de relevo”, um homem que Sandim não quer esquecer.

A Academia de Musica de Santa Maria de Sandim a completar 100 anos de existência merece também a homenagem. Não só pelo centenário, mas por toda a riqueza cultural que tem «emprestado» à freguesia.

Aliás, este encontro de colectividades “tem tudo para continuar a ser realizado. Falamos do legado que deixam, das gerações que aprenderam e das que podem aprender a riqueza das nossas tradições, da nossa cultura”, diz o presidente da junta apostado em proporcionar “dentro das nossas capacidades criar condições para que possam existir e a «educar», todos quantos querem aprender o muito que têm para ensinar.”

Quando se faz anos por norma recebe-se presentes. Não parece que Sandim vá ter algum especial neste 7º aniversário, mas ainda assim fica a vontade de Mota Baptista “mais paz, segurança, justiça, progresso, uma sociedade mais equiparada, a tal justiça social.” Não são palavras vãs, são palavras de quem se confessa “preocupado”, não só com o fosso entre uns e outros que está a cavar-se todos os dias. Bem vistas as coisas, “a insegurança é fruto da injustiça social.” Vai mais longe na sua análise: “parece que se justifica ser marginal, de tal forma não funciona a outra justiça aquela que quando pune, pelos anos que tarda em chegar, já não é justiça, mas sim injustiça que se faz.” E veja-se o reflexo no futuro, “as pessoas precisam sentir-se seguras para investirem é isso que faz o progresso”, mas as coisas não parecem no bom caminho.

Que chegue o progresso a Sandim mas “que não crie desordem mantenha o equilíbrio; é possível o desenvolvimento sem estragar o que temos de bom”, assim se quer a freguesia.

Para esse crescimento há-de contribuir o Parque Industrial, cujo concurso foi lançado na passada semana “certamente que vai dinamizar muito a freguesia, estamos muito expectantes”, admite. A freguesia continua á espera do Centro Cívico, “estava para arrancar este verão, deverá ser em meados de Setembro”, diz um autarca que quer sempre mais “a ambição é o motor da vida”, justifica.

Passeio Terceira Idade

Só mesmo quando todos estão já entregues em suas casas é que o autarca respira de alívio. Mota Baptista fala da “enorme preocupação que nos assalta nos dias que antecedem o passeio da Terceira Idade. É certo que se vai dissipando, á medida que vemos como todos se divertem, estão satisfeitos e gratos e tudo corre bem, mas alívio mesmo é quando chegamos a casa.”

E felizmente foi assim que correu mais um Passeio. Cerca de 750 idosos participaram na Missa que teve lugar na Sé em Coimbra. O almoço, a tarde de danças e cantares “de um convívio muito agradável, muito participado”, decorreu na Quinta D. Maria em Soure. São muitos os monitores que zelam para que tudo corra pelo melhor, ninguém se sinta “perdido ou desamparado.”

O presidente da junta sabe bem como todos aguardam ansiosos este dia “ainda que as inscrições estejam aberturas durante um mês e tudo esteja assegurada, há quem vá para o ponto de encontro de madrugada para guardar vez, o lugar como se tivessem medo quando afinal está tudo garantido, mas demonstra a ansiedade destas pessoas.”

Muitas dessas pessoas, admite Mota Baptista “por estarem mais fechadas em casa, não as identifico, mas conheço-as quase todas”, não vai em campanha, não a faz, “mas gosto muito de conversar com todos, de ver e rever, saber como estão é um dia que vale muito a pena, estes Passeios da Terceira Idade”, garante o autarca.

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