Mais de 100 crianças portuguesas com paralisia cerebral podem melhorar a sua qualidade de vida através de uma cirurgia que diminui 92 por cento da espasticidade, que se caracteriza pela rigidez muscular que dificulta ou impossibilita o movimento, em especial dos braços e dos membros inferiores.

A cirurgia consiste na colocação de uma pequena bomba de infusão de medicamento, implantada por baixo da pele do abdómen e que administra continuamente doses de medicação de forma precisa, permitindo o controlo da espasticidade do doente, como refere José Brás, neurocirurgião do Hospital dos Capuchos.

Como o medicamento é administrado directamente no local onde este é necessário diminui a possibilidade de ocorrência de efeitos secundários como náuseas, vómitos, sonolência, confusão, problemas de memória e de atenção e é muito mais eficaz que a medicação oral.

No entanto, ainda não existe um Hospital em Portugal que possibilite o acesso a esta cirurgia em crianças com paralisia cerebral com menos de 16 anos apesar do vasto número de crianças com indicação médica para serem sujeitas a esta terapia, alerta Graça Andrada, presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral.

A principal razão apontada é a falta de material para implantação da bomba de in

fusão que, dado o seu custo, não é adquirida pelos hospitais portugueses. É também necessário incentivar os serviços médicos a criar condições para realizar esta cirurgia em prol da melhoria da qualidade de vida destas crianças, diz a mesma responsável.

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